Narrativas do Oscar: princípios do Storytelling em La La Land e Moonlight

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No último domingo (26) aconteceu uma das maiores premiações do cinema mundial. Você pode até não gostar de filmes mas com certeza já se deparou com algum comentário de amigo sobre algo que ele viu ou quer ver. Aprendi a assistir bons filmes com o meu namorado. Já ele aprendeu com o pai, jornalista apaixonado por cinema que até hoje grava filmes na TV. Quando nos conhecemos, eu só assistia a comédias românticas “do momento” ou aqueles dramas pra chorar durante a TPM. Com o tempo, aprendi a enxergar a história por trás daquele roteiro e a perceber nuances que antes não me dava conta, como a direção, a fotografia ou a trilha sonora. Como diria o nosso mentor de narrativas Olavo Pereira Oliveira, todas as palavras têm que fazer sentido.

Desde que os filmes indicados ao Oscar 2017 foram anunciados, dois se destacaram. Seja pela quantidade de indicações e favoritismo (La La Land: Cantando Estações – 14 indicações) ou pela temática abordada (Moonlight: Sob a Luz do Luar – 8 indicações), um ano após a hashtag #OscarSoWhite dominar as redes sociais falando sobre a ausência de negros na premiação.

Durante a premiação, coincidentemente, a gafe durante o anúncio do vencedor da categoria Melhor Filme foi com os dois também. Eu só havia assistido La La Land, um filme cheio de fantasias e romance que alguns amam e outros odeiam. Para falar a verdade, foi o primeiro musical que assisti e me emocionei quando acabou e a trilha sonora não sai da cabeça (fazendo jus ao prêmio). Moonlight, por sua vez, já é notável pela temática abordada e conseguimos entender, mesmo sem assistir ao filme, os porquês de sua narrativa. Excluindo o fato de manifestações políticas que já borbulham como especulações sobre o prêmio mais aguardado da noite, descobri em Moonlight uma linda fotografia que conta a história de Chiron para falar de muitos que, assim como ele, se tornam invisíveis diante dos preconceitos da sociedade. Definitivamente, uma história que merecia ser contada.

Mas afinal, o que podemos aprender sobre Storytelling observando as narrativas de Moonlight e La La Land?

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Moonlight foi vencedor nas categorias de: melhor roteiro adaptado, melhor filme e teve o ator Mahershala Ali como melhor ator coadjuvante. La La Land venceu nas categorias melhor trilha sonora, melhor direção e fotografia, além de melhor atriz com Emma Stone (Confira a lista completa de indicados e vencedores aqui).

Com o processo de Jornada de Descoberta da Essência da sua história, que acreditamos fazer a diferença e já comentamos na ferramenta Mapa da Narrativa e no eBook 5 princípios para boas narrativas, ambos disponíveis neste kit, observamos alguns elementos em comum com as narrativas premiadas (sem entregar muitos spoilers para quem ainda não assistiu).

 

 

 

Empatia: os dois filmes têm personagens fortes e que se conectam com o público

Um princípio essencial para qualquer história é a empatia. Quando nos identificamos com quem está do outro lado da tela, fica mais fácil de compreender o caminho que ele está percorrendo.

Seja para vivenciar a realidade de alguém que está se identificando com o seu gênero, sentindo na pele sua sexualidade e sofre preconceitos dos amigos sem ter apoio de uma família. Ou para renovar os sonhos da busca por uma profissão, acompanhando um romance cheio de sintonia entre dois jovens, seguido de uma fase de complicações no relacionamento pelas escolhas de vida de cada um…

Com ambos os filmes conseguimos nos colocar no lugar dos personagens. Sorrimos, choramos e ao final nos conectamos com a história de Mia e Sebastian (La La Land) ou de Chiron (Moonlight).

 

As gêneses dos personagens nos mostram os motivos dos conflitos e viradas de suas jornadas

O conflito é o coração de uma narrativa. Ele ajuda a reforçar a empatia que criamos com o personagem, porque surge a partir de situações em que o protagonista se coloca e que revelam traços da sua personalidade, desejos que ele quer realizar ou forças que o afastam da sua jornada.

Fica mais fácil entender o caminho desse personagem quando somos apresentados à sua gênese. Em La La Land, conseguimos perceber a busca de Sebastian por criar um novo clube de Jazz quando sabemos que ele já fracassou como empresário. Já em Moonlight, a relação com a mãe que é usuária de drogas e não está nem aí para o filho, já apresenta a relação complicada e a busca desse personagem pela sua essência. Aí fica fácil entender a relação afetiva com Juan como se fosse seu pai. Em ambos, notamos um conflito principal e depois outros obstáculos que vão se colocando no meio do caminho dos personagens principais. Sabe aquela sensação de quando está tudo bem, as coisas desandam? Ou quando você torce pelo final feliz e ele não acontece?

A vida, assim como um bom roteiro, é cheio de conflitos e viradas.

 

Conseguimos identificar a mensagem essencial de cada filme

Toda história é construída em torno de uma mensagem essencial. Para ter início, meio e fim, é preciso explorar os desafios e barreiras que o protagonista encontra no meio do caminho, como mencionado no tópico acima.

Além de todos os elementos que já trouxemos (empatia, conflito, viradas) quando conseguimos perceber a transformação dos personagens Mia, Sebastian e Chiron, também conseguimos identificar o clímax de seus personagens e a mensagem que revela a existência de cada um.

Em La La Land, essa mensagem vem principalmente próximo ao final do filme, quando nos deparamos com Mia e Sebastian depois de alguns anos e em tudo que eles poderiam ter vivido se tivessem feito escolhas diferentes.

Já em Moonlight, dividido em 3 partes, conseguimos perceber a transformação de Chiron na última. Já conhecido como Black, vemos uma pessoa que talvez ele não quisesse se tornar, já que no fundo algo do passado ainda mexia com a sua personalidade.

Assistir a um filme é uma forma de se deixar levar por uma ficção ou entender temáticas relevantes no mundo que precisam ser abordadas. É entender os porquês das escolhas narrativas e do trabalho de várias mãos que acabam sendo agraciadas com prêmios. Um filme tem o poder despertar sensações e emoções que nos fazem agir e pensar de forma diferente.

E você, conseguiu enxergar um pouco desses princípios nos filmes? Tem uma opinião diferente e que pode complementar nossos aprendizados? Deixe seu comentário. 😉

Ana Paula Santos
Ana Paula Santos
Jornalista e Fotógrafa de histórias de amor no Save the Love. Acredita no poder da narrativa para retratar a essência de cada pessoa e suas verdadeiras histórias.

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