O que é um Manifesto? Descubra se a sua marca precisa ou não com 5 exemplos

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Você já se deparou com um projeto, serviço ou marca que adora e, de repente, viu que ali tinha algo que eles defendiam e que fazia você se identificar ainda mais? Independente do formato, muitas vezes somos levados a um relacionamento sem mesmo chegar a consumir algo de fato, apenas por se identificar com a forma que se posicionam e as ações que demonstram o que acreditam.

A criação de um manifesto tem a ver com a clareza sobre a intenção da sua comunicação, de fazer com que as pessoas se envolvam com uma temática e se conectem com o que você ou a sua marca pensam.

Nós acreditamos sempre que o 1º passo antes de qualquer construção narrativa é descobrir a mensagem essencial. Já falamos sobre isso no eBook sobre o Mapa da NarrativaNesta etapa, recomendamos um mapeamento das mensagens que te levam aos “porquês” da sua narrativa, explorando, no caso de um manifesto, principalmente as motivações e os impactos que espera causar no público. É aí que você vai começar a descobrir se precisa de um manifesto ou não.  

Para ajudar você a descobrir a intenção da sua comunicação, vamos compartilhar alguns exemplos de manifestos.

1) TEDxFloripa: um tema que representa os ilhados da cidade e do mundo

Participamos como voluntários na cocriação do tema do evento: “Ilhados”.

A ideia nasceu a partir do fato de que o evento será realizado numa Ilha, já que Floripa está inserida em uma. A intenção era explorar a relação de homem-ilha. A partir de duas afirmações, a de um poeta e a de um escritor, surgiu a provocação: qual é a verdadeira? Na verdade, nenhuma. Somos e não somos uma Ilha. Existe uma dualidade inerente à condição humana de ser ou não ser ao mesmo tempo. O resultado final foi um texto reflexivo que serviu de chamada para os palestrantes da edição 2017 no site do TEDxFloripa.

O poeta inglês John Donne diz que nenhum homem é uma ilha.

Já para o escritor português José Saramago todo homem é uma ilha.

Talvez as duas afirmações sejam verdadeiras, talvez nenhuma.

Somos e não somos ilha ao mesmo tempo.

Uma dualidade inerente à nossa condição humana.

Somos ilha quando nos vemos separados dos outros, cada um em sua terra firme, aterrado sobre suas próprias convicções e certezas.

Não somos ilha quando nos vemos conectados, ligados por marés que nos movem e que nos fazem navegar por oceanos de possibilidades.

Estamos juntos e separados.

É nas redes que nos conectam que nos vemos afirmando cada vez mais o que nos separa: nossas polaridades. Mas a essência das interações em escala oceânica está justamente em nos encontrarmos nas nossas discordâncias.

Não precisamos ser ilha nem deixar de ser, nos conectar nem nos desconectar, nos deixar cobertos ou nos deixar descobrir.

Todas as ilhas são desconhecidas até que alguém as explore.

Que compartilhemos absolutamente tudo: o que nos aproxima, o que nos afasta, o que nos assemelha e o que nos diferencia.

Sejamos nossa própria dualidade.

2) Par Mais Empoderamento Financeiro: todo mundo pode ser livre

Lidar com dinheiro leva as pessoas a lidarem com sentimentos contraditórios e justamente por isso o trabalho da consultoria financeira Par Mais era mal compreendido por muitos dos potenciais clientes.

A partir do mapeamento de mensagens e da descoberta da mensagem essencial: todo mundo pode ser livre, a marca conseguiu deixar mais clara e simples para o seu público como ela poderia ajudar o cliente a conquistar sua liberdade por meio de uma gestão mais inteligente dos recursos financeiros. Foi aí que fizemos uma adaptação da narrativa para um texto que representava o propósito e o manifesto da Par Mais para apresentar o seu DNA no site. Saiba mais sobre esse case aqui.

No site, foram incluídas seções que facilitam a compreensão do público: “No que acreditamos?” aborda a questão de que Planejamento Financeiro pode ser muito mais. Já o “Por que fazemos?” trata da questão de que não existem superpoderes, mas porque há pessoas que vivem “presas” por falta de conhecimento ou uma relação insustentável com o dinheiro. O “Como Fazemos” deixa mais claro como é feito o processo de consultoria.

Confira agora como a marca passou a se expressar com os seus clientes aqui.

3) 99 jobs: Faça o que você ama

Inspirados em conectar pessoas ao mercado de trabalho, a 99 Jobs surgiu expressando seu posicionamento de forma bem clara e defendendo um manifesto: Faça o que você ama. Em sua linha narrativa, eles provocam que “a vida é muito curta para trabalhar com algo que não faz sentido”, e também de que temos que parar de arrumar desculpas e ser corajosos porque o mundo, assim como as carreiras, está mudando. “Você é capaz de mais do que você acredita”, reforça o manifesto. 

A partir do manifesto e do posicionamento de marca, a empresa cria campanhas que reforçam a mensagem, como uma websérie com o mesmo nome que traz a história de 8 pessoas que conseguiram escolher o que realmente amavam. Um exemplo é Wellington Nogueira, idealizador do Doutores da Alegria.

Veja todas as histórias da websérie aqui.

4) Comunica Empreendedor: o sonho de empreender

Há algum tempo percebendo o desafio das pequenas empresas de se posicionarem e terem sucesso em seus negócios, Mariana Queiroz pensou numa forma de ajudá-los a encontrar o seu lugar no mundo e realizar os seus sonhos. Com a nossa parceria, o manifesto surgiu de uma narrativa pessoal que se transformou em conteúdo para o site, lançado recentemente. Veja aqui.

5) Manifesto Narrative: por um mundo com mais conexão

É claro que não poderíamos deixar de contar a experiência de construir o nosso próprio manifesto. Por acreditarmos que narrativas conectam as pessoas, decidimos criar um manifesto que vai de encontro com o que não curtimos: apenas o convencimento, as vendas, a persuasão sem a criação de um relacionamento ou uma boa história.

Optamos por um vídeo simples e curto, com menos de 40 segundos, onde pudéssemos trazer frases impactantes que remetem à defesa de uma causa pelas boas narrativas.

Afinal, a sua empresa/marca/projeto precisa ter um Manifesto ou não?

Na verdade essa pergunta tem a ver com a autenticidade da sua história e os impactos que espera criar no mundo. Se você enxerga algo a mais na sua marca, comece a pensar lá no branding novamente, buscando a essência e a proposta de valor. Depois disso ficará mais fácil pensar no que você precisa comunicar e aí sim construir uma narrativa que faça sentido levantando suas bandeiras e que, ao mesmo tempo, te conecte com as pessoas. 

Um manifesto não precisa ser um texto longo ou uma superprodução. Basta que, independente de qualquer modinha, a sua intenção e a verdade da história que você quer contar venham em primeiro lugar, mesmo que a narrativa seja usada durante uma campanha ou continuamente para reforçar a parte institucional. Além disso, explore as dualidades. Reconhecer que o caminho é árduo explorando também o lado negro e o que faz parte dele, é ser ainda mais autêntico e sincero com o seu público. Não dá para apenas compartilhar as conquistas ou o que você ache bacana. Se faz parte da sua história, conte.

Veja a ação que a Harley-Davidson do Brasil fez com o intuito de criar uma sensação única às pessoas interessadas em adquirir uma Harley. Tem um pouquinho de perfil de manifesto aí, pois a causa da marca é a paixão dos consumidores: a liberdade e o fato de pertencer a um grupo.

Ana Paula Santos
Ana Paula Santos
Jornalista e Fotógrafa de histórias de amor no Save the Love. Acredita no poder da narrativa para retratar a essência de cada pessoa e suas verdadeiras histórias.

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